segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

E é findo 2010...

Alguém mais, além de mim, fica com uma mania de análise quando chega o final do ano? Sabem aquela velha história de definir metas, dar continuidade aos projetos que tiveram êxito, corrigir o que não deu certo, fazer novos planos, enfim... Acho que tudo isso mexe com a cabeça da gente.

Lembro de quando estava atuando em sala de aula. Eu só conseguia fazer essa reflexão no começo de Dezembro, porque até o fim de Novembro era tudo muito corrido: finalização de projetos, elaboração das avaliações descritivas semestrais (muitas, mas muitas avaliações), preparação da festa de encerramento, enfim, uma empreitada. Mas passado tudo isso, normalmente no decorrer do mês de Dezembro, sempre gostei de avaliar – particular e coletivamente – o ano que se passou.

Claro, como praticamente todo mundo, pratico isso na minha particularidade, mas aqui quero falar da sala de aula. Eu trabalhava com a Jornada Ampliada II – minha maior paixão – e como a turma tinha crianças e adolescentes de dez a catorze anos, no próximo ano a maioria dos alunos estaria comigo outra vez, o que tornava nossas avaliações muito produtivas.

Nesses momentos de pura e descontraída conversa surgiram vários dos mais interessantes projetos que desenvolvemos. Sempre arquivei todo o trabalho dos alunos, desde maquetes até gráficos em alto relevo, textos, cartazes, enfim. E Dezembro era o mês de estender tudo no chão da sala e observar, sem cerimônias.

Como meus alunos a meu exemplo eram, em sua maioria, extremamente críticos, ouvi deles várias vezes um “nossa, que chato isso, não sei como terminamos”. E outras vezes um “ai profe, podíamos fazer isso todo ano, é tão legal.” Todas essas observações eram anotadas por mim com muito cuidado e precisão, para que os anos se seguissem cada vez melhores, mais produtivos.

Mas sabem o que era interessante? Por mais que eu adequasse os projetos aos assuntos e metodologias que eles gostavam, pensando que no final do ano a avaliação seria 100% positiva, sempre tinha alguém que fazia alguma crítica a algum trabalho, e quando eu observava a crítica não era infundada, muito pelo contrário.

Algumas vezes eu chegava a me frustrar, pois pensava não conseguir captar a necessidade dos meus alunos, mas quando eu analisava o resultado final, o quanto amadureciam e evoluíam no decorrer do ano, percebia que trabalhávamos bem: eu com eles, e eles comigo.

Foi quando em um determinado momento tive um epitáfio – adoro epitáfios – e entendi finalmente o porquê das críticas. E o mais engraçado é que elas aconteciam devido a uma das coisas que mais amo na educação: sua dinâmica.

Por mais que eu corrigisse para o ano seguinte o que os alunos pontuavam, sempre teria alguma atividade ou algum projeto que não agradaria, pois a cabeça dos alunos muda, o contexto muda, a minha postura muda, a deles também, e assim por diante.

Não quero dizer com isso que as avaliações não são válidas, muito pelo contrário, além de contribuírem para o crescimento profissional do professor, desenvolvem um senso crítico e poder de avaliação fantástico nos alunos.

Esse ano que passei fora da sala de aula, me fez lembrar da rotina do professor durante várias situações, mas nenhuma com tanta clareza quanto Dezembro. Isso não é nenhuma visão de Poliana nem nada, sei que a rotina da sala de aula é exaustiva e que quando essa época do ano chega os professores estão cansados, esgotados, estressados, etc. Mas não tem como não reconhecer que é uma data onde, se tiver realizado um bom trabalho, o professor olha para trás e vê que seu esgotamento é totalmente justificável, pois crianças e adolescente já não são os mesmos que eram no começo do ano. Cresceram, amadureceram, aprenderam muito, graças ao trabalho de formiguinha realizado pelos bravos mestres.

Por tudo isso, que cada um aproveite esse momento da melhor forma possível, e desde já, um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de realizações, projetos e conquistas a todos nós.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Tráfico educacional?

Não tem nem como usar um meio termo para o assunto de hoje, é simplesmente estarrecedor. O Zero Hora – jornal de grande circulação em Porto Alegre - dominical de 12 de Dezembro de 2010 trouxe a tona uma questão que de tão absurda chega a ser surreal: a venda, sim, VENDA de trabalhos escolares por professores particulares.

A reportagem “negociou” com professores um suposto trabalho de matemática para a 7ª série, e a surpresa foi que de oito professores, cinco aceitaram a missão. A negociação ocorre de forma tão natural que chega a ser assustadora. Os professores em momento algum cogitaram dar aulas para ensinarem o conteúdo que o suposto aluno teria dificuldade. Muito pelo contrário, deram dicas e sugestões que mostra o quão comum é, em sua rotina, tal absurdo. Um trecho da entrevista mostra claramente a estratégia: “Vou fazer como se fosse aluno. Vou fazer bem como se ele tivesse envolvido, até que nem posso fazer isso, né? Teria de dar aula e ele fazer”. Ainda aconselham a passar o trabalho a limpo, para não gerar suspeita.

Agora, como explicar isso?

Na própria matéria apresentada pelo jornal, uma profissional da educação afirma que tal ato se deve a estrutura falha do sistema de reprovação, gerando este uma sensação de fracasso e derrota. Ok, eu até concordo. Mas há como eximir de responsabilidades esses professores? E os pais?

Não, não tem como. Independente do sistema de reprovação ser falho, do próprio sistema educacional ser sucateado, enfim, do contexto não ser nada favorável, nada justifica professores que deveriam ENSINAR, orientar, honrar a proposta que fizeram ao assumir essa missão, se tornarem traficantes de conhecimento. É uma atitude tão desprezível que não consigo encontrar nenhum adjetivo para nomeá-la. Só tenho uma esperança: que isso seja punido com a severidade merecida.

Agora, falando dos pais: COMO ASSIM? Que espécie de pai compra um trabalho de final de ano assegurando que o filho passe de ano, mas não se preocupando em absoluto com o conhecimento adquirido e com o crescimento como aluno e como pessoa. E vou mais longe: que tipo de exemplo esses pais deram aos seus filhos ao tomar tal atitude? Fernando Becker, doutor em Psicologia Infantil e professor da UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul - declara que esses pais estão ensinando os filhos a delinquir. De acordo com ele, “Desse jeito, os filhos podem pensar assim: posso faturar uma grana fácil vendendo droga, por que não? É o extremo oposto de qualquer processo educacional. Quando um pai chega a esse nível, já tem um longo trajeto de concessões e de falta de atitudes enérgicas e de moral”.

É exatamente nesse ponto que eu queria chegar. Nessa situação o contexto problemático da educação no Brasil é extremamente secundário. O que vejo por parte dos professores é um oportunismo desmedido de pessoas sem nenhuma ética profissional nem respeito por nada nem por ninguém, e pelos pais um desespero por atingir os fins sem justificar os meios.

Isso é o retrato de uma sociedade que não dá importância ao trabalho, e sim ao resultado. A reprovação é um sistema que precisa ser revisto? Com toda certeza. Mas de que adianta pais lançarem os seus filhos para uma próxima série pelo simples fato de não ter um filho reprovado, sem este ter o conhecimento necessário? E digo mais: onde estavam esses pais na hora de fazer o dever de casa, acompanhar desempenho, participar de reuniões, conversar com professores, questionar coordenação, enfim, viver junto com seus filhos os desafios da vida escolar?

Sempre questiono e critico a educação no Brasil, porque de fato é uma das maiores deficiências do país, mas nesse caso não posso deixar de salientar o quão estarrecedoras foram as atitudes de professores e pais, e o quanto essas atitudes, infelizmente, terão um reflexo extremamente negativo sob os alunos e filhos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Bullying. A hora de falar é agora. Fale você também.

Motivada por uma campanha interessantíssima promovida pelo programa global Altas Horas intitulada “Bullying. A hora de falar é agora. Fale você também.” quero escrever hoje sobre isso. Por ser um assunto recente, pouco se sabe ou se é divulgado a seu respeito, mas é um problema tão sério que precisa, imediatamente, virar pauta em toda e qualquer discussão educacional e social.

O bullying começou a ser pesquisado há aproximadamente 10 anos na Inglaterra, quando se constatou que o mesmo tipo de prática discriminatória e intimidadora estava por trás de grande parte das tentativas de suicídio entre adolescentes. Depois de iniciada, essa pesquisa percorreu o mundo e infelizmente constatou-se que acontece em todos os lugares de formas muito parecidas.

Bullying quer dizer, de forma geral, intimidação. Mas é muito importante não considerar apenas como uma palavra estrangeira que significa intimidação, mas sim identificar essa expressão como uma patologia social e a expressão da crescente violência escolar. As vítimas dessa prática são intimidadas, humilhadas, agredidas, enfim, aterrorizadas, e apesar de estar presente em qualquer ambiente e poder acontecer com qualquer pessoa, o local que mais acontece é na escola. Estudos da Abrapia (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência) revelam que aproximadamente 30% dos estudantes brasileiros já sofreram algum tipo de bullying.

Ele permeia dois universos, o do agressor; que é sempre uma pessoa ou grupo que se sente superior, e o da vitima; que normalmente tem baixa autoestima e é retraída tanto na escola quanto no lar. Pode acontecer de diversas formas, desde boatos espalhados ridicularizando a vítima, agressões verbais, ameaças, exclusão social, até a violência propriamente dita.


E com a febre crescente de sites de relacionamentos e redes sociais, o cyberbullying tem crescido de maneira assustadora. Essa agressão se dá na internet, normalmente em forma de difamação ou incitação de violência. Um caso muito falado na época das eleições foi bullying não com uma pessoa, e sim com um grupo: o caso da estudante de direito que declarou “faça um bem a São Paulo, mate um nordestino”.

Como o principal local é a escola, os professores e a coordenação tem papel fundamental no controle severo dessa prática abominável. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, muitos pais de vítimas processaram as famílias dos agressores e a escola, por não ter evitado ou denunciado a prática, e isso fez com que as instituições se tornassem extremamente severas e intolerantes com qualquer indício de bullying.


As conseqüências dessa prática são muito sérias, e apesar da maioria das pessoas associar isso aos assassinatos em massa seguidos de suicídios nas escolas ou suicídios adolescentes propriamente ditos, esse não é o pior problema. Explico: as tragédias noticiadas acontecem com uma minoria ínfima de vítimas. É horrível? Claro que sim, mas para cada suicida existem milhões de pessoas que sofrem caladas, e esse é o maior problema. Dificilmente uma vítima de bullying denuncia ou se manifesta de qualquer forma, alimentando assim o sentimento de desespero crescente. A consequência disso é o indivíduo se tornar cada vez mais introspectivo, fechado, omisso, depressivo, enfim, é praticamente como ceifar uma vida.

Infelizmente, como tudo que é relativamente novo, o bullying não tem uma legislação específica que o condene. Alguns estados, como o Rio de Janeiro, já esboçaram normativas punitivas a quem pratica, no entanto não há nada presente, por exemplo, na Constituição, a não ser a adequação de leis que defendem a integridade do ser humano, a garantia do seu bem estar, assim por diante.


É preciso que a sociedade como um todo mas principalmente nós, professores, nos tornemos cada vez mais sabedores de como constatar o bullying, denunciar o agressor e respaldar a vítima, para que essa violência não vire uma epidemia e seja passada de geração em geração, em um mundo onde a vítima de hoje é o algoz de amanhã.

domingo, 28 de novembro de 2010

Estudantes X ENEM

Como não poderia deixar de ser, eu quero – e preciso – escrever sobre o ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio.

O ENEM realizado no primeiro final de semana de Novembro foi, sem dúvida, o ápice de uma crise crescente na realização do mesmo. Esse exame que teoricamente deveria servir para facilitar o egresso de alunos no Ensino Superior tem aterrorizado os que se candidatam a ele. Os estudantes se aplicam incansavelmente para ter um bom resultado em uma prova que pode decidir seu futuro acadêmico, e ano após ano ela se mostra falha, imprecisa e desrespeitosa. Primeiro vazam gabaritos, depois dados dos inscritos são expostos na internet, e agora – com chave de ouro – se fecha mais um ciclo de fiascos.
Não vou nem entrar no mérito da confusão que ele causou nos vestibulares, pois existem universidades que o tem apenas com percentual de nota e podem simplesmente desconsiderá-lo; no entanto, há aquelas que o tem como próprio vestibular, e de uma hora pra outra é impossível montar um exame seletivo no improviso. Como resolverão? Não sei, acho que ninguém sabe.

Com tudo isso, um belo dia o advogado da União deu uma entrevista a um jornal falando que a instituição que ele defende não concorda com o cancelamento da prova e nem com a reaplicação da tão famosa prova amarela, porque seria uma injustiça com os outros estudantes que só tiveram uma oportunidade de fazê-la. Mas eu fico aqui me perguntando: a prova foi justa com os milhares de estudantes que tiveram que responder um exame confuso e mal preparado? E vou mais longe: será que era só a tal da prova amarela que tinha problema?

Que o ENEM deveria ser totalmente cancelado e reaplicado para todos que o fizeram, isso não tem nem discussão. Agora, já que o Ministério da Educação tem batido o pé seguidamente – e no Brasil quem bate o pé sai com a razão – para não refazer toda a prova, pelo menos poderia ter a dignidade de assumir um erro grotesco, ou melhor, uma sequência de erros, e tentar fazer o possível para confortar essas pessoas tão desoladas pela incerteza de seus destinos acadêmicos.

Agora resta esperar e ver quem decidirá o quê. Se o MEC falará mais alto deixando as coisas no dito pelo não dito – o que não é exatamente uma novidade – ou o Ministério Público se valerá do poder de decisão que tem e fará jus a sua real obrigação, que é defender o interesse do cidadão.

Eu espero com muita ansiedade que esse equívoco monumental seja corrigido, pois o país - representado aqui pelo Ministério da Educação - deveria mostrar, no mínimo, respeito por aqueles que se dedicaram e desgastaram.

E é preciso falar, é preciso reivindicar. Porque conivência gera reincidência.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A realidade em cena.

Todo material de apoio que tem a função de qualificar o trabalho em sala de aula é importante, por isso quero falar hoje sobre quatro filmes: “Coach Carter, Um Treino para a Vida”, “Escritores da Liberdade”, “Vem Dançar” e “Um Sonho Possível”. Todos são baseados em fatos reais e quero fazer um paralelo entre eles para pontuar alguns aspectos.


O filme “Coach Carter, Treino para a Vida” traz a história de um ex-jogador de basquete que foi convidado a ser técnico do time da escola em que jogou. O cenário: uma comunidade mergulhada na criminalidade, onde o jovem era totalmente desacreditado das suas possibilidades, inclusive pela própria escola. O técnico passou a exigir que os atletas fossem, antes de tudo, bons alunos, e cobrava deles extrema disciplina. O desfecho é maravilhoso, mas as barreiras que o técnico enfrentou para fazer seu trabalho foram diversas, dentre elas os próprios pais, os professores, a diretora da escola, enfim, a concepção geral era de que aqueles jovens já estavam perdidos, não iriam para a universidade, nem se quer havia um pensamento de que eles concluiriam o colegial, no entanto, o investimento e a credibilidade do técnico fizeram com que tivessem um futuro digno. A maior dificuldade, por incrível que pareça, não foram os jovens, mas o próprio “sistema”.


No filme “Escritores da Liberdade” o resgate não veio do esporte, mas sim das aulas de Inglês que se tornam verdadeiras válvulas de escape através de diários. O cenário: o mesmo que o descrito anteriormente, e as dificuldades da professora eram, em geral, as mesmas. Ela chegou à escola cheia de projetos e se deparou com professores desiludidos que estavam meramente despejando suas respectivas disciplinas nos alunos, mantendo-se alheios a precariedade da escola e a realidade da comunidade. Quando a professora propôs mudanças e sugeriu estratégias, foi barrada pelos professores, pela direção da própria escola, e até mesmo por um órgão que equivale às secretarias de educação. Nem a livros os alunos tinham acesso para não estragá-los. Nesse contexto estarrecedor a professora abriu mão de praticamente toda a sua vida para dedicar-se aos alunos. A dedicação e a fé da professora mostraram que o investimento em uma juventude que todos consideravam perdida pode fazer dela um instrumento importantíssimo da sociedade.


No filme “Vem Dançar”, como não poderia ser diferente, os adolescentes vinham do mesmo contexto com um agravante: o trabalho do professor se deu em uma turma que vivia à margem dos marginalizados, quer dizer, a história se passa com a turma de alunos em detenção de uma escola que já se encontra deteriorada. Os adolescentes eram adeptos ao Hip Hop e adoravam dança de rua, e percebendo isso o professor aproveitou o gosto pela dança para ensiná-los dança de salão (dança essa tida como uma prática extremamente elitista). Como a recusa, obviamente, foi muito grande, o professor usou de estratégias inusitadas para mostrar aos alunos que tudo é possível. Também encontrou obstáculos entre os professores e a escola, mas teve nos alunos o apoio que precisa para fazer a diferença.


E por fim o filme “Um Sonho Possível”, que não tem como protagonista o professor, mas sim, o aluno. É a abordagem da situação por um ponto de vista diferente. O filme conta a história de um garoto que sofreu traumas terríveis durante a infância ao ser separado da família devido à dependência química da mãe, e desde então é mandado de uma família pra outra pelo estado. Com relação a isso o filme mostra uma crítica sutil sobre o fato de famílias receberem um “salário” do estado para adotar uma criança e acabar fazendo isso apenas pelo dinheiro. Entretanto, em uma situação inesperada, a vida do garoto se cruza com uma família rica que o acolhe e investe tanto na sua educação quanto no seu desenvolvimento de uma forma geral. A mudança que o garoto e a família fazem na vida uns dos outros é fenomenal, e a persistência da mãe da família é ponto fundamental: ela é uma pessoa muito influente e incentiva tanto a escola quanto os professores a acreditá-lo. Em um papel secundário no filme aparece a única professora que percebeu potencial no garoto, reconhecendo suas potencialidades e explorando-as.


Ao pensar na resenha de cada filme, a impressão que se tem é de que são dramas cinematográficos que, através de um roteiro programado, tem início, conflito, clímax e fim. Mas não. São histórias verídicas que tiveram desfechos felizes devido ao emprenho de pessoas que acreditaram em um ideal e trabalharam pra que isso acontecesse.


Os três primeiros filmes mostram professores que bateram radicalmente de frente com um sistema que, ao invés de resgatar os jovens da vida depreciativa que levavam, ajudava a empurrá-los cada vez mais para a marginalidade. Cada professor com uma estratégia diferente (basquete, expressão escrita e dança), resgatou os alunos na sua essência, ou seja, mostrando que eles tinham qualidades e que as mesmas podiam possibilitar um futuro diferente do presente. A lição que se tira disso é extraordinária, por que a situação dos professores ilustra, de fato, a realidade. Eles enfrentaram os obstáculos que principalmente a escola e o sistema educacional como um todo estipularam para um trabalho diferenciado, desde a falta de crédito para o trabalho realizado até o não investimento propriamente dito. Essas são questões cruciais. Passando por cima disso, o que é ainda mais importante de perceber é que os professores se mantiveram firmes em seus propósitos acreditando em seu trabalho e conquistaram o respeito de todos, principalmente dos alunos. Uma relação entre aluno e professor não pode ser baseada em outra coisa se não respeito e confiança mútua.


No último filme, como eu disse antes, o foco não é o trabalho do professor. Na verdade, é mais amplo, pois engloba a posição do estado frente às crianças que são retiradas da família por estarem em situação de risco, mas por outro lado são lançadas a própria sorte. Também mostra o comodismo de professores a ponto de não trabalhar a particularidade de um aluno, e sim, taxá-lo e ignorar suas necessidades especiais. Em contra partida, mostra o compromisso de uma mãe de família rica e com uma estrutura familiar organizada, que se sensibiliza e move céus e terras para proporcionar uma vida digna a alguém que não tinha chances. Relaciono essa história com as outras três porque, por mais que a família tenha investido e tirado o garoto de uma realidade degradante, o ponto fundamental para que ele conquistasse autonomia e dignidade foi a educação.


Esses são filmes que nos possibilitam profunda reflexão sobre a educação. Vendo o que essas pessoas fizeram pela educação e pelas pessoas, me questiono: existe limite? Quantas vezes ouve-se o discurso de que não é possível fazer, ou que é um trabalho a longo prazo, ou ainda que a sociedade não colabora, e assim por diante. Mas imaginem vocês se, como nas histórias mostradas nos filmes, a atitude partisse do professor. E não me refiro a um ou outro professor, e sim a todos. A mudança seria feita e todo o sistema educacional que é extremamente falho se obrigaria a trabalhar, a investir. Se é fácil? Claro que não, e os próprios filmes mostram o leque de dificuldades. No entanto, a missão do professor precisa vir acima de tudo. Sua prioridade precisa ser o aluno e sua real necessidade, sua especificidade, seu desenvolvimento e sua participação na sociedade. Isso significa o desenvolvimento integral do ser, e é só assim que a valorização do jovem marginalizado como ser humano passará a acontecer.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Cultivadores de mundo!

“Super fantástico amigo!
Que bom estar contigo
No nosso balão!

Vamos voar novamente
Cantar alegremente
Mais uma canção


Tantas crianças já sabem
Que todas elas cabem
No nosso balão


Até quem tem mais idade
Mas tem felicidade
No seu coração


Sou feliz, por isso estou aqui
Também quero viajar nesse balão!
Super fantástico!
No Balão Mágico,
O mundo fica bem mais divertido!


Sou feliz, por isso estou aqui
Também quero viajar nesse balão!


Super fantásticamente!
As músicas são asas da imaginação
É como a flor e a semente
Cantar que faz a gente
Viver a emoção


Vamos fazer a cidade
Virar felicidade
Com nossa canção
Vamos fazer essa gente
Voar alegremente
No nosso balão!


Sou feliz, por isso estou aqui
Também quero viajar nesse balão!
Super fantástico!
No Balão Mágico!
O mundo fica bem mais divertido!”


(Super Fantástico - A Turma doy Balão Mágico)


Há muito tempo penso em fazer um post com essa música, mas como ultimamente meu dever cívico falou mais alto, fui deixando de lado. Pois bem, vamos dar um tempo na política e, agora, esperar que tudo de certo né!


Super fantástico fez parte da trilha sonora da minha infância, e por mais que eu me sinta ultrapassada quando falo isso, continuarei a falar: as músicas da minha infância eram milhões de vezes melhores do que as que as crianças ouvem hoje em dia.


Quem sabe por eu ter vivido uma infância extremamente musical, sempre achei muito importante a musicalidade na sala de aula. E, é claro, Super fantástico é minha companheira fiel. Vocês acham que os alunos não gostam ou acham graça? Muito pelo contrário, adoram. A primeira vez que fiz uso dela foi durante o primeiro ano que trabalhei com Pré-Escola; para a apresentação no encerramento do ano letivo das crianças. Foi absolutamente lindo.


Mas alguém já prestou atenção, efetivamente, no que a música diz? Ela não cativa só pelo ritmo divertido. Ela tem uma letra simplesmente mágica. Quem nunca quis estar naquele balão? Pois eu sempre, SEMPRE quis. Ficava imaginando um cesto de palha muito grande onde coubesse o mundo inteiro, e a parte de cima era feita de muitos tecidos coloridos das mais diversas formas, como uma colcha de retalhos. E o fogo que fazia o balão subir era cor de rosa, é claro. Assim como eu, tenho certeza que muita gente se pegou pensando no tal do balão. Mas eu pensava nele assim quando era criança.


Quando me tornei professora, passei a pensar nele de formas mais mágica ainda. Pra mim, o balão é a educação. É exatamente como o balão que vejo a sala de aula e a minha atuação nela.


Pra mim, a sala de aula é um lugar de fraternidade, sem essa conversa de que todos são iguais, mas sim, acolhidos em sua diferença. A sala é um lugar de alegria, onde cada vírgula que é aprendida precisa ser uma novidade, precisa instigar a busca pelo conhecimento infinito. Na sala não há espaço pra discriminação, marginalização, preconceito, julgamentos, não cabe idade, cor, credo, enfim, cada um é cada um e juntos somos sempre mais. Na sala cabe o mundo, ah, com certeza cabe. Esse mundo se mostra através das pessoas que dela fazem parte, dos livros e filmes, das ilustrações, mas principalmente da imaginação. Essa é nossa mais valiosa passagem para onde quer que desejemos ir.


A sala de aula é um canteiro extremamente fértil, onde todas as esperanças, expectativas, os sonhos, os projetos, os anseios são depositados, plantados, adubados e, finalmente, colhidos. Muitas vezes essa colheita leva anos, décadas, e é feita quando os alunos já estão muito longe. Pode ser quando estiverem trabalhando, constituindo família, educando seus filhos, participando da sociedade, melhorando o mundo. Não depende de quando, e sim COMO. Se a sementinha foi bem cultivada, fará do mundo muito, mas muito melhor. Olha a nossa responsabilidade. Nós, professores, somos cultivadores de mundo.


Esse é nosso trabalho, essa é nossa missão. E assim como os viajantes do balão, sou feliz, mas muito feliz mesmo por fazer parte dele. Pra mim, a educação em toda sua totalidade é o balão, um balão grande, colorido, com fogo cor de rosa, e no seu cesto cabe o mundo inteiro!!!


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Democracia? Eu acho que não.

Fiquei um tempão sem escrever porque precisava organizar minhas ideias. Digo isso porque época de eleição mexe muito com os ânimos das pessoas – inclusive com os meus – e é preciso dosar o que vai ser dito para que seja, de fato, produtivo.

Muitas coisas me deixam indignada com a política, mas quero falar de algumas delas – as que considero mais importantes – separadamente para não perder o foco, pois acho que poucas pessoas tem o conhecimento necessário para julgar com clareza a grandiosidade do seu voto e o peso que ele tem.


Pois bem, quero agora explicar o porquê do título do post. Eu sempre soube que nas eleições existia um cálculo para determinar a eleição efetiva dos candidatos, as tais “cadeiras” de cada partido. Mas só há pouquíssimo tempo consegui entender o que isso significa e me decepcionei diante do fato concreto de não vivermos em uma democracia.


Os cálculos são simples e envolvem dois fatores: quociente eleitoral e quociente partidário. Para calcular o quociente eleitoral soma-se a quantidade de votos válidos de um estado e divide-se pelo número de vagas que o mesmo possui na Câmara dos Deputados. Para calcular o quociente partidário divide-se a quantidade de votos recebida por cada partido pelo quociente eleitoral.


Depois que tomei conhecimento disso percebi o poder de manipulação que os maiores sempre tem sobre os menores, uma cadeia alimentar doentia. Explico: a candidata que recebeu meu voto para Deputada Federal recebeu quase 130 mil votos. No entanto, ela não conseguiu se eleger. Alguém sabe por quê? Simples. Ela, defendendo seus ideais políticos, abandonou um grande partido ao qual pertencia e filiou-se a um bem menor, que pela sua quantidade de votos não conseguiu cadeira na Câmara. Por outro lado, outra candidata sem propostas concretas nem ideais claros, devido à grandiosidade de seu partido e ao investimento em uma grande campanha de marketing – que somados geram imensa popularidade pela falta de consciência política que grande parte dos eleitores tem – angariou nada mais nada menos que quase 500 mil votos, ganhando cadeiras para o seu partido e levando com ela Deputados que não tiveram nem a metade dos votos da minha.


Foi exatamente isso que aconteceu no tão comentado caso do candidato e agora, até que se prove o contrário, Deputado Federal, Tiririca. Ele recebeu aproximadamente um milhão de votos. Consequência: levou consigo políticos que não conseguiriam se eleger pela quantidade de votos recebidos, inclusive mensaleiro que deveria estar bem longe da política. Acaso? Claro que não. Isso foi uma estratégia – muito bem sucedida – do partido para angariar votos e conseguir garantir mais cadeiras na Câmara.


Agora, quem é que vai dizer que isso é democracia? Não é. Não tem como ser. Democrática seria a eleição onde os candidatos mais votados pelo povo o representassem. Democrática seria a eleição onde um candidato que recebeu 130 mil votos ficasse a frente de outro que recebeu 30 ou 40 mil. Por isso quando aparecem reportagens em Brasília vemos Deputados Estaduais e Federais sendo entrevistados e não sabemos nem de onde saíram. Claro, não fomos nós que os colocamos lá, foi um esquema, um conchavo para que SEMPRE seja beneficiado o maior, o mais poderoso. República? Não, não aqui.


Pensando em tudo isso vejo o quanto é importante nós, como professores, sermos sabedores desse tipo de coisa. Nós temos como responsabilidade formar cidadãos críticos e atuantes, que saibam participar e ser construtores da própria sociedade. E uma parte muito importante da criticidade é o conhecimento prévio para fazê-la.


Quero deixar registrados dois pensamentos para pura reflexão. Rousseau e Paulo Freire são ícones na educação democrática, personagens de importância ímpar que muito tem a contribuir com a formação de qualquer professor, e deixo conceitos advindos deles que tem total coerência com tudo que escrevi até agora:


“A pátria não subsiste sem liberdade, nem a liberdade sem a virtude, e a virtude sem os cidadãos (...). Ora, formar cidadãos não é questão de dias; e para tê-los adultos é preciso educá-los crianças.” (Rousseau).


“O educador democrático não pode negar-se ao dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão.” (Paulo Freire).


Para encerrar, deixo a música “Perfeição” – Legião Urbana, onde há anos atrás foi pintado um cenário que, infelizmente, não mudou muito. Mas é preciso acreditar que um dia mudará, e que isso depende de cada um.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

E aos meus pais, PARABÉNS!!

Gostaria de pedir linceça para alguém que esteja lendo, pois hoje não escreverei nada relacionado à educação. Hoje quero dar os parabéns aos meus pais, que essa semana completaram 27 anos de uma união linda, concreta e cheia de amor. Por isso, postarei um texto que escrevi há algum tempo declarando o meu amor por eles da forma mais sincera e clara que consegui expressar:

"Os anos passam e só então percebemos a real importância das coisas, ou melhor, o seu real significado.

Sabe aquelas situações que parecem absurdamente banais ao ponto de não receberem destaque na sua rotina, mas que quando – por um motivo ou outro – você tem que abrir mão, fazem uma inexplicável falta? Pois bem, é sobre isso que quero escrever.



As pessoas que me fazem mais falta hoje, sem dúvida nenhuma, são meus pais. Mas isso não quer dizer que eu tenha deixado de aproveitar momentos com eles e me arrependa. Muito pelo contrário, aproveitei o máximo que pude, e talvez por isso a saudade.



Eu trabalhava na mesma empresa que a minha mãe, porém, em unidade diferente. De uns anos pra cá, mais exatamente até março de 2009, estávamos trabalhando na mesma unidade, logo, isso me possibilitava a oportunidade rara de desfrutar da sua companhia o tempo todo. Muitas pessoas perguntavam se não era complicada essa rotina de estar com a mãe vinte e quatro horas por dia, mas nós temos um relacionamento tão ímpar que era um prazer imenso. Ríamos, mas ríamos tanto, ríamos sempre e de tudo. Discutíamos também, pois temos opiniões diferentes pra muita coisa, mas no final da história o consenso acontecia. Passávamos em algum lugar comer bastante besteira quando o dia era muito estressante, e ríamos disso também. Na volta pra casa, cansadas – exaustas pra falar a verdade – falávamos muita besteira, fofocávamos sobre o dia – um veneninho bem básico – fazíamos planos, enfim, o caminho pra casa era o momento de bate papo. Quase chegando acontecia todo o ritual: eu me esticava pra pegar a bolsa no banco de trás do carro, encontrava a chave e o controle do portão, ia abrindo a casa enquanto ela estacionava o carro, ligava a televisão e esperava meu pai pra tomar chimarrão.



Quando o pai chegava nossa atenção era toda dele. Ele esbravejava sobre o dia transcorrido – meu pai tem um trabalho cansativo e estressante também – falava besteira, mas principalmente, adorava pegar no pé da mãe. Com meu pai eu passava apenas essas horas entre o final da tarde e o começo da noite. Mas nesse meio tempo, em alguns anos, conseguimos recuperar momentos que a vida nos tirou durante muito tempo, por um ou outro motivo que nos afastaram e que agora não passam de um passado muito distante. Meu pai, assim como minha mãe, é uma pessoa ímpar, impossível de não amar e admirar.



Falando em características, é impressionante como duas pessoas tão diferentes puderam construir uma relação tão íntegra, sólida e cheia de amor.



Minha mãe é uma pessoa extrovertida, que adora pagar mico, não tem vergonha de ser feliz, de dizer que não sabe, de falar besteira. É, definitivamente, uma das pessoas mais espontâneas que conheço. Luta demais pelo que quer, e normalmente consegue, mesmo que seja a longo prazo. Meu pai é a parte séria da relação, é uma pessoa muito preocupada, mas muito brincalhona também. É rápido em respostas, principalmente se for pra tirar algum sarrinho da minha mãe. É muito objetivo, batalhador, e tem um jeito particular de mostrar carinho – faz isso dando conselhos e falando da vida. Mas eles também tem coisas em comum: são guerreiros, fortes, trabalhadores, e me amam da forma mais pura e simples.



Estão comigo o tempo todo, mesmo que seja só em pensamento. Sempre me lembro dos dois pra tomar alguma decisão, às vezes até pra falar alguma coisa em uma conversa. Volta e meia me vejo contando histórias da minha infância – que por sinal foi linda – com um saudosismo que surpreende até mesmo a mim.



Hoje me peguei olhando fotos, e relembrando momentos que estavam bem guardados no baú das minhas memórias. Lembrei de quando falei da possibilidade de morar longe deles, da expressão em seus olhos, da preocupação, dos desejos de felicidade, e da saudade que já começou a acontecer naquele momento.



Do dia que a viagem estava marcada até a data de saída, foi um aproveitamento incrível de momentos. Tudo que acontecia era extremamente importante. Não que antes não fosse, mas é que nada mais nos passava despercebido. Lembro de quando minha mãe me disse que não sabia mais o que faria na volta do trabalho quando estivesse sozinha no carro. Eu dei risada e desviei o assunto, brinquei, mas tudo isso foi pra não deixar que ela percebesse que eu também não sabia o que faria longe dela. Não nos deixamos abater, mas cada uma de um jeito sofre com a falta.



Meu pai, como sempre, demonstrou o seu sentimento através da preocupação. No dia da minha partida me chamou pra conversar. Falou da vida, mas de uma forma mais profunda que a normal. Aconselhou-me a ser uma boa esposa – sim, foi por isso que fui embora – e me falou das dificuldades de um casamento, mas que todas elas valem à pena. Disse que estaria sempre ali, no mesmo lugar caso eu precisasse, e mesmo que eu soubesse que ele estaria, foi inexplicavelmente bom ouvir aquilo. Não consegui segurar o choro quando ele falou... Abraçamos-nos, e aquele momento parecia não acabar nunca mais.



O momento do embarque que me traria para Porto Alegre foi um dos mais difíceis da minha vida. Não foi ruim, só foi difícil. Eu já estava com um nó na garganta antes da partida. Não queria chorar, porque o choro deixa uma impressão de tristeza, e definitivamente não era isso que eu queria. Esperamos o horário, embarcamos as malas e ficamos os três sem ação. Eu queria abraçá-los pra nunca mais soltar, queria trazê-los comigo, queria fazer qualquer coisa que não causasse afastamento.



Foi difícil soltá-los, chorei muito enquanto eles se seguravam e mantinham-se firmes e fortes. Fiquei olhando pela janela enquanto me afastava, pensando no grande passo que estava prestes a dar. Não que eu não tivesse pensado antes, claro que tinha, mas no momento em que as coisas estão se realizando é que medimos sua real grandeza. Eu não sabia ao certo quando os veria de novo, mas sabia que não seria assim que amanhecesse; que não nos diríamos bom dia com abraços e beijos, que não brincaríamos um com o outro ao anoitecer, enfim, que essas coisas corriqueiras – que percebi serem especiais – não aconteceriam mais como antes. Mal dormi a viagem toda, e pensei muito em tudo. Em momento algum deixei de achar que valia a pena. Mas, repito, foi um momento muito difícil.



Hoje, depois de passados mais de um ano e meio, a saudade só aumenta. É uma saudade calma, serena, mas que em alguns dias se revolta e resolve tomar conta de mim. Agora, nesse exato momento, queria poder estar sentada no sofá da sala, tomando um chimarrão, falando dos planos da semana, rindo, enfim, com eles.



O motivo que me fez deixá-los é de igual valor. Foi pelo amor da minha vida. Algumas pessoas recebem a dádiva de poder ter esses dois amores sempre perto. Eu tive que optar. Fiquei um tempo muito longo longe de um, agora estou longe de outro, mas é assim que a vida tem que ser. É feita de escolhas e sei que a minha foi a correta. De forma alguma quem quer que esteja lendo isso agora, pense que me considero uma pessoa injustiçada por não ter recebido a dádiva que escrevi anteriormente. Eu recebi uma maior, por mais que não possa ficar perto dos meus dois amores, os tenho da forma mais completa que uma pessoa pode ter. Sempre os tive. Enquanto estava com meus pais, era amada por eles e pelo meu então namorado, que estava longe, mas sempre comigo. Hoje sou amada pelo meu marido, mais do que imaginei que seria, mas sinto a todo instante o amor dos meus pais quase como se fosse concreto, de tão forte.



Quando ouço suas vozes no telefone ou leio algum e-mail, é como se estivéssemos sentados juntos, conversando, como sempre fizemos..."

Pai, mãe, parabéns e obrigada por serem quem são.


Eu amo vocês!!!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Desabafo...

Sempre escrevo sobre o que penso ou deixo de pensar, o que acredito ou deixo de acreditar, as minhas concepções de certo e errado, os rumos que julgo serem corretos para a educação, e assim por diante. No entanto, hoje quero escrever algo total e completamente subjetivo.

Há um ano e meio, desde que mudei de Blumenau para Porto Alegre, estou fora da sala de aula. Minhas únicas atuações em sala foram durante os estágios obrigatórios.

Meu trabalho em Blumenau acontecia em uma ONG que eu amava e odiava ao mesmo tempo. Ficava indignada com coisas do tipo: salário atrasado, falta de recursos, a situação de algumas famílias, a omissão da sociedade, enfim... Mas de tudo que me prendeu lá durante anos seguidos destaco, a princípio, meus alunos – alguns deles foram meus alunos antes mesmo de ler e escrever. Pude acompanhar seu desenvolvimento e, há algum tempo atrás, vê-los representando a ONG e a escola em eventos culturais e sociais. É muito orgulho. Além deles, a liberdade que eu tinha para trabalhar, desenvolver os projetos junto com a turma e de acordo com suas preferências, a possibilidade e o incentivo à promoção de debates, o exercício da criticidade, democracia e cidadania, enfim, o trabalho como um todo me fazia cada vez mais apaixonada.

Durante anos me acostumei a pensar em atividades pedagógicas 18h por dia – nas outras 6h eu estava dormindo. Tudo que eu via em qualquer lugar automaticamente remetia para a minha sala. Isso era tão involuntário que eu, muitas vezes, nem me dava conta. Além disso, minha maior companheira em tudo e a pessoa com quem eu passava mais horas do meu dia era minha mãe, que também é professora e divide da mesma paixão pela ONG e pelas crianças e adolescentes da Jornada Ampliada do que eu, logo, nem tinha como tudo isso ser diferente.

Mas por que o título do post é “Desabafo...”?

Porque desde o dia em que mudei para Porto Alegre busco, incessantemente, a possibilidade de lecionar novamente. E todas as tentativas até agora foram frustradas. O tempo foi passando, passou-se um ano, está passando o segundo, e continuo trabalhando em um setor que não tem nada haver comigo, me ocupando de coisas das quais não entendo e, honestamente, nem busco tanto entender, enquanto poderia estar dando o meu melhor para muitos, mas muitos alunos. E o pior de tudo isso, esses muitos alunos estão, em sua maioria, sem professores.

O déficit estadual e municipal de professores de Português é grotesco. É inconcebível pensar que como eu, existem tantos outros professores sedentos de lecionar sendo obrigados a estarem afastados da sala de aula por pura conveniência política, enquanto a sala precisa de nós tanto quanto nós precisamos dela.

Me pego, quase que diariamente, pensando no que eu poderia estar desenvolvendo em sala de aula com meus alunos hoje, se eu estivesse em uma. Penso em atividades, propostas, projetos, arquiteto planos, prevejo resultados... Só falta conseguir concretizá-los.

Tinha me disposto a ser breve, mas não consegui. Eu só espero que o investimento nos professores seja feito de uma vez por todas, enquanto há em quem investir. Porque mesmo os sonhos mais idealizados, quando ficam platônicos por um tempo demasiadamente longo, perdem o brilho e a vontade de acontecer.

A música que segue é pra pura reflexão de estado de espírito...


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Epitáfio...


Eu estava com um texto praticamente pronto pra escrever quando, sem mais nem menos, tive um epitáfio – pretensão?



Só sei que me cansei, por um breve momento, de criticar a educação. Alguém já reparou como passamos tempo criticando. Apontamos esse defeito, aquela defasagem, é problema aqui, acolá, e deixamos de falar no que a educação tem de belo.



Por que o epitáfio? Simples: tenho o hábito matinal de assistir o jornal da Rede Globo, Bom Dia Brasil, diariamente. Essa semana fui surpreendida com a presença do professor Sérgio Nogueira Duarte que estava acompanhando uma reportagem sobre os porquês existentes por aí, reportagem essa que mostrava poemas de ninguém mais ninguém menos que Fernando Pessoa.



Um deles sinto-me obrigada a dividir:



“Copiaste? fizeste bem.
copia mais, sem canseira.
copia, pilha, retém...
é a única maneira
de não escreveres asneira...”



Genial? Certamente.



Depois da matéria, o professor Sérgio Nogueira Duarte, com um quadro no meio do estúdio, explicou brincando quando se usa por que, porque, por quê e porquê, com uma simplicidade tamanha que me causou até encanto.



Explicou, em resumo, que o “por que” aparece não apenas em perguntas, mas sempre que pode ser substituído por “por qual razão ou motivo” ou “pelo qual ou pelas quais”. O “por que” equivale ao “pois”, “já que”, “uma vez que”, ou seja, uma relação de causa e/ou explicação. O “por quê” equivale ao “por que”, no entanto, aparece antes de pontos, sejam eles quais foram (., ?, !), e finalmente o porquê acontece quando toma forma de um substantivo.



Mas o professor deu essa explicação de forma tão natural que me fez perceber o quanto ama e respeita a Língua Portuguesa. Esse foi o epitáfio.



A educação está se perdendo pelo fato de sempre se salientar o que precisa acontecer, melhorar, mudar, acabar, enfim, as pessoas simplesmente estão esquecendo das coisas boas que ainda acontecem. Isso é tão perigoso.



A lição veio diretamente a mim, e senti grande necessidade de dividi-la. O professor é um herói. Cada um é tão grande quanto os maiores heróis que o mundo já teve e – espero – ainda terá. Por isso não podemos esquecer do que nos levou a sermos professores, ajustar nosso foco para os objetivos da nossa profissão e seguir em frente. Como diria Buzz Lightyear, “Ao infinito e além...”.



Para encerrar, deixo o vídeo de uma música que é mágica e que, pra mim, tem um significado ímpar. Não vou nem tentar explicá-la, porque (junto, lembram?) ela fala por si. Definitivamente, existem coisas na vida que precisam ter a liberdade de simplesmente acontecerem.






quarta-feira, 21 de julho de 2010

Educação: a "arma" mais eficaz!

Quem acompanha jornais ou qualquer outro meio de comunicação tem se deparado, há algumas semanas, com tragédia atrás de tragédia. No blog, tendo como objetivo principal tratar de EDUCAÇÃO, não posso ficar alheia a tantos acontecimentos e começo esse post com luto pelo garoto que foi assassinado dentro da própria sala de aula. O mesmo garoto, em uma atividade, declarara a ambição de ser bombeiro para poder defender as pessoas. Notícias como namorado que assassina namorada e joga o carro no rio, ou jogador de futebol famoso acusado de comandar uma ação brutal e grotesca de extermínio, somadas a um histórico de violência que nos cerca no Brasil a ponto de estarmos prestes a uma guerra civil, nos fazem pensar quão banalizado está o fato de pessoas tirarem a vida uma das outras.


É muito triste quando nos damos conta que por mais que as campanhas voltadas a todo tipo de público quanto às drogas, violência sexual/física/psicológica, educação no trânsito, enfim, problemas que assolam a sociedade, estejam o tempo todo circulando em todos os veículos de comunicação, elas ainda sejam menores e tenham menos impacto do que a voz de um traficante, ou de um “magnata” que tem uma mente criminosa e grande facilidade de aliciar quem quer que seja, ou ainda de um namorado ou marido que se sente no direito de espancar e matar sua companheira. Será que um dia teremos uma sociedade mais civilizada e pacífica?

Quantas vezes ouvimos políticos encherem a boca declarando que o Brasil é um país sem guerras? E o que dizer da guerra civil instaurada no Rio de Janeiro, por exemplo? Isso se estende de forma geral por todo o Brasil, mas os acontecimentos nas favelas cariocas são os que mais rápido chegam aos noticiários. O que dizer de um garotinho (como milhares) que foi assassinado DENTRO DA SALA DE AULA? O que dizer de uma polícia que, em sua maioria, se alia aos criminosos por interesses financeiros e deixa a sociedade – público alvo do seu trabalho – a mercê do crime organizado, uma terra de ninguém? O que dizer dos políticos que são verdadeiros coronéis e não dedicam a mínima atenção para segurança pública, saúde e, finalmente, educação?


Não quero com tudo isso me unir a uma imprensa sensacionalista e oportunista para fazer alvoroço. Escrevi aqui um desabafo da minha indignação com tudo que tem acontecido e quero compartilhar uma reflexão que há tempos tenho feito.

Desde que, em 2005, comecei a trabalhar com adolescentes dos quais alguns tinham contato muito próximo com todo tipo de violência e negligência por parte da família e da sociedade, que meu maior interesse na educação se voltou para os direitos da criança e do adolescente. Por isso, apesar de me graduar em Letras, sempre procurei direcionar meu trabalho para a parte social da educação, ou seja, não me importar somente com as horas/aulas que estou com meus alunos, mas sim com a garantia de que essas horas tenham qualidade, assim como sua rotina em casa e na sociedade como um todo.


É partindo dessa reflexão somada a toda desgraça que tem assolado as páginas policiais dos jornais, que se torna cada vez mais forte a convicção de que a única esperança de que o Brasil seja um país melhor é a EDUCAÇÃO.


Quando falo isso a primeira coisa que escuto é: mas quem tem que trabalhar com bandido é a polícia, não o professor. Até aí tudo bem, concordo plenamente que quem tem preparação e obrigação para trabalhar com bandido é a polícia. Mas existe uma linha muito tênue entre um adolescente marginalizado e um bandido. A partir do momento em que um adolescente ou um jovem infrator é abandonado à própria sorte, o caminho mais fácil é a criminalidade. Como diria Gabriel Pensador, “A criminalidade toma conta da cidade”. No entanto, se esse adolescente é resgatado, tem acesso a educação e profissionalização assim como outras oportunidades e opções de vida, ele pode ter ao menos uma possibilidade de ter um destino diferente. Não digo aqui que ir até uma penitenciária e querer oferecer isso a todos os que estão presos vá fazê-los tornarem-se cidadãos de bem, com consciência social e boa índole. Essa situação nos remete a outro debate: o sistema carcerário, que não cabe ser abordado aqui porque, de tão vasto, merece uma postagem a parte. O que quero dizer é que se a Educação Pública for oferecida com qualidade, a evasão escolar for de uma vez por todas extirpada da sociedade, o acesso a universidades e cursos profissionalizantes for para todos – e não só para quem tem poder aquisitivo ou é beneficiário de cotas – e a garantia dos direitos da criança e do adolescente acontecer efetivamente, inclusive com adolescentes infratores que ainda podem ser arrancados da realidade deturpada em que vivem, existe a esperança de que a próxima geração, a geração dos meus filhos, tenha uma realidade social menos sanguinária. Os marginais que existem hoje não são Matusalém, em um determinado momento eles nos livrarão de suas indesejáveis presenças, e se a sociedade – valorizando a educação – “criar” cidadãos responsáveis que vivam com integridade, sejam críticos, saibam eleger seus governantes para que os coronéis (assim como os demais bandidos) não durem para sempre, existe a possibilidade de termos um país melhor.


Uma imagem vale mais que mil palavras. Abaixo uma garatuja de um menino que, mesmo sem ter ainda os traços definidos, retrata uma realidade dura e impiedosa.

A polícia tem sim que cuidar (e banir) dos bandidos, mas a EDUCAÇÃO É O ÚNICO MEIO DE IMPEDIR QUE ELES EXISTAM.







segunda-feira, 5 de julho de 2010

Um país em fúria!

Não tinha como deixar de escrever sobre a copa, não é?!



Pois bem, vamos lá. Mas não quero escrever sobre as seleções, técnicos, jogadores, convocações, etc., etc., etc. Quaro falar de tolerância, espírito esportivo, compreensão, coletividade. Alguém acha que uma coisa não tem relação com a outra? Pois mostrarei que estão intrinsecamente ligadas.



Os professores e acadêmicos – não só de Letras, mas de qualquer curso da área da Educação – que já estudaram, entre vários autores, Vygotsky, sabem que uma parte importantíssima da Educação de modo geral e principalmente da Infantil é o “educar brincando”, o tão famoso lúdico. Através dele a educação se torna mais divertida e proveitosa, o que possibilita o professor ser mais eficaz em seu trabalho. Além disso, através de jogos, gincanas, competições em geral, o professor pode – e deve – trabalhar noções de coletividade, de competição saudável e honesta, de espírito esportivo, além de uma das coisas mais importantes e que hoje é tão falha: a possibilidade de lidar bem com frustrações, derrotas, o tão famoso “você não conseguiu agora, mas pode tentar de novo”. Enfim, noções que teoricamente deveriam ser trabalhadas, no entanto, a sociedade é um reflexo de que isso não acontece.



Comecei o texto falando da copa porque essa semana o que vi em vários noticiários me deixou escandalizada. A seleção, como todos sabem, foi desclassificada nas quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul. Ficou entre as oito melhores seleções do mundo, e ao voltar pra casa encontra um país voltado contra si. Os jogadores, ao chegar em determinadas cidades, tiveram que fugir, literalmente, de uma população enfurecida. Alguns, mesmo já estando em seus carros, foram agredidos verbalmente o tempo todo. Como se não bastasse, hoje assistindo um jornal local vi a seguinte enquete: “Quem foi o responsável pela desclassificação da seleção brasileira? Para votar no Dunga ligue para determinado número, para votar nos jogadores ligue para determinado número.” Ou seja, como se não bastasse uma população indignada, uma imprensa sensacionalista determina que as pessoas precisam ter raiva de alguém: ou do técnico, ou dos jogadores. Em momento algum foi dito que a seleção que ganhou era melhor, se esforçou mais e por isso teve melhor resultado, que daqui quatro anos pode-se tentar novamente, que se deve aprender com os erros e corrigi-los para uma próxima vez, enfim, lições importantíssimas que se mostraram totalmente ausentes.



Com isso alguém vem me perguntar: mas desde quando a educação é responsável por uma sociedade sem espírito esportivo e que não sabe lidar com frustração? E eu respondo que desde SEMPRE. Nós, professores, temos que formar nossos alunos para toda e qualquer adversidade, e que eles enfrentem a mesma com dignidade e senso de justiça consigo e com os outros. Além disso, precisamos formá-los para que sejam críticos e saibam, como Sócrates, usar a tática das três peneiras, ou seja, “peneirar”, filtrar o que escutam nos jornais, programas em geral, nas revistas e até mesmo na própria escola, e construir uma opinião sobre tudo. Se isso começar finalmente a acontecer, no futuro teremos uma sociedade menos manipulável e mais dona de suas verdades, onde a coletividade, a solidariedade, o reconhecimento do esforço alheio, enfim, valores estarão acima de um instinto puramente irracional.


Deixo uma foto para reflexão. Eis um homem com todas as qualidades que citei anteriormente. Que teve compaixão do seu algoz e se fortaleceu em uma experiência dura e sofrida para mudar um país. Tomara que ao menos algumas lições tenham sido agregadas com a Copa do Mundo na África do Sul, que tráz uma história de superação começada por Nelson Mandela e continuada, diariamente, pelo seu povo.





terça-feira, 22 de junho de 2010

Ensinando respeito colhe-se gentileza!

Gentileza – Marisa Monte


“Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza

Por isso eu pergunto
À você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta”...


Fiquei pensando sobre o que escrever pra não interromper a sequência de posts, mas não queria escrever por escrever. Foi quando, na última quinta-feira (17/06) participei de um seminário de um curso da área da Educação e devido a alguns acontecimentos o tema veio à tona: RESPEITO.


Comecei com a música “Gentileza” de Marisa Monte porque vejo nela uma mensagem lindíssima. Uma visão do mundo que o professor precisa ter, visão essa abordada por Luciana E. Ostetto no livro “Arte, Infância e Formação de Professores – Autoria e Transgressão”, onde no capítulo 5 intitulado “Do cinzento ao multicolorido: linguagem oral, linguagem escrita e prática pedagógica na Educação Infantil” a autora faz uma releitura da música salientando uma educação modificadora. Mas fiz esse parêntese porque coincidentemente, alguns dias antes, levei essa música para a sala de aula devido a uma confraternização, esperando que quem a recebeu a leve consigo para sua prática docente.


Enfim, no tal dia 17, ao chegar à sala onde seria o seminário, me sentei bem na frente de modo a prestar total atenção nas apresentações. Quando a primeira começou percebi um “murmurinho”, aquele “tititi”, sabem? Imaginei que fosse devido ao horário, pois muitas pessoas ainda estavam chegando. Logo essa conclusão foi por água a baixo, pois durante todas as apresentações a conversa paralela continuou. Olhei pra trás diversas vezes esperando que as pessoas desconfiassem que estavam incomodando, e ao mesmo tempo por solidariedade a quem estava apresentando, mas nada acontecia. Em uma dessas olhadas, pra minha indescritível surpresa, estava a professora em meio a uma conversa animadíssima com algumas pessoas DURANTE UMA APRESETAÇÃO QUE ELA DEVERIA AVALIAR, e mesmo que não devesse, a professora sempre deve ser o exemplo, não?! Fiquei no seminário até o último grupo se apresentar e, ao final, das setenta pessoas que estavam na sala no início restaram aproximadamente quinze. Isso tudo me remeteu a pensar que aquelas setenta pessoas estão se preparando para serem professores, e não conseguem respeitar um acadêmico que está se esforçando para trazer as mais diversas informações e contribuições para a sua formação.


Fico pensando e me perguntando se aqueles acadêmicos – que em sua maioria já são professores – ao entrar em sua sala de aula para lecionar ficam olhando para os alunos e fazendo o famoso “sssssssssshhhhhhhhhhhhhhhhhiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuuuuu” quando existe uma conversa ou coisa assim.


Saí da turma já pensando que o próximo post do blog seria sobre respeito. Até quando continuará acontecendo o tal “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”? As noções de respeito, de gentileza como diz a música, estão cada vez mais escassas na sociedade, e quando acontece algo bizarro como violência na escola, em casa, desrespeito no trânsito, em filas, com idosos/gestantes/deficientes em ônibus, enfim, em todas essas situações que nos chocam e nos fazem pensar por que tudo está do jeito que está, devemos parar e refletir se realmente estamos fazendo a nossa parte para que seja diferente.


Aquele velho brasão “violência gera violência” pode ser usado para virtudes também, porque respeito gera respeito, gentileza gera gentileza e educação, decididamente, gera educação.